Tradução: Germany and the Armenian genocide

Germany and the Armenian genocide

Deciding what to call a century-old Turkish atrocity

The Economist

TURKEY considers the Ottoman Empire’s mass murder of well over a million Armenians and other Christians in 1915-17 a tragedy. But “genocide”? Armenia and many historians say it was. Turkey insists it was not — and berates any country, from France to the Vatican, that uses the word. Nonetheless, more than 20 countries have officially recognised the killings as genocide. On June 2nd it was Germany’s turn, when its Bundestag passed a resolution calling the killings “genocide” no fewer than four times.

That vote could not have come at a worse time for Angela Merkel, the German chancellor. She is the main architect of a deal reached in March between Turkey and the European Union. Mrs Merkel, more than any other EU leader, needed this deal: she wants an orderly and “European” solution to the refugee crisis, rather than brute border closings by individual member states.

But Recep Tayyip Erdogan, Turkey’s president, clearly interpreted Mrs Merkel’s efforts as weakness. Since the deal he has pressed ahead in his quest to become an autocrat, rejecting European criticisms with threats to scupper the refugee deal and let hundreds of thousands of refugees make their way to Greece again. This has exposed Mrs Merkel to criticism in Germany that she has sold out to a dictator. Even members of her own coalition accuse her of kow-towing.

Some see the souring of the relationship as retribution for Mrs Merkel’s past diplomatic mistakes. In 2007 Mrs Merkel, along with other European leaders, in effect slammed the door shut for Turkey’s ambitions to join the EU. At that time Mr Erdogan, then prime minister, was still claiming to modernise Turkey and bring it into line with EU norms on civil liberties. Stung by Mrs Merkel’s rejection, Mr Erdogan turned against the West and decided to become a neo-Ottoman sultan instead, thinks Joschka Fischer, a former foreign minister..

Mr Cem Özdemir, a son of Turkish immigrants and co-leader of the Green Party who is also the driving force behind the genocide resolution. He originally meant to put the genocide resolution to a vote on April 24, 2015, the centenary of its start. Anxious to avoid provoking Turkey, Mrs Merkel kept delaying, he says, even though the new timing looks even worse. This spring Mr Özdemir pushed ahead again. The resolution is necessary to acknowledge Germany’s complicity in the genocide as the Ottoman Empire’s main ally at the time, he says. As for Turkey, he thinks, if it had dealt honestly with its past and its minorities, it might already be an EU member.

A Alemanha e o genocídio armênio

Que nome dar à atrocidade cometida pelos turcos há cem anos?

The Economist

A TURQUIA considera uma tragédia o assassinato em massa de mais de um milhão de armênios e outros cristãos pelo Império Otomano entre 1915 e 1917. No entanto, pode esse massacre ser chamado de “genocídio”? A Armênia e muitos historiadores dizem que sim. A Turquia insiste que não e repreende qualquer país, da França ao Vaticano, que utilize o termo. Porém, mais de 20 países reconheceram oficialmente as mortes como genocídio. Em 2 de junho, foi a vez da Alemanha, quando o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) aprovou uma resolução de reconhecimento, chamando as mortes de “genocídio” não menos do que quatro vezes.

A votação não poderia ter ocorrido em pior momento para Angela Merkel, chanceler alemã. Ela é a principal arquiteta do acordo fechado em março entre a Turquia e a União Europeia. Merkel, mais do que qualquer outro líder da UE, precisava deste acordo: ela quer uma solução ordeira e “europeia” para a crise dos refugiados, ao invés do fechamento brutal de fronteiras por Estados membros individuais.

Entretanto, Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, claramente interpretou os esforços de Merkel como fraqueza. Desde o acordo, Erdogan continuou trilhando um caminho rumo à autocracia. Passou a rejeitar as críticas europeias e fez ameaças de inviabilizar o acordo migratório, permitindo que centenas de milhares de refugiados retornassem à Grécia. Isso expôs Merkel à críticas na Alemanha onde a acusam de ter se vendido a um ditador. Até mesmo membros de sua própria coalizão a rotularam de subserviente.

Alguns percebem a deterioração da relação como uma retribuição pelos erros diplomáticos cometidos por Merkel no passado. Em 2007, a chanceler, juntamente com outros líderes europeus, efetivamente fechou a porta para as ambições da Turquia de ingressar na UE. Naquela época, Erdogan, então primeiro-ministro, ainda afirmava o compromisso de modernizar a Turquia e alinhá-la com as normas da UE no que respeita as liberdades civis. Irritado pela rejeição de Merkel, Erdogan voltou-se contra o Ocidente e decidiu se tornar um sultão neo-otomano, opinou Joschka Fischer, ex-ministro das relações exteriores.

Cem Özdemir, filho de imigrantes turcos e copresidente do Partido Verde alemão, também foi uma força motriz por trás da resolução de reconhecimento do uso do termo genocídio para o massacre. Inicialmente, Özdemir pretendia colocar a proposta em votação no dia 24 de abril de 2015, por ocasião dos 100 anos do massacre. Porém, ele explica que, por temer abalar a relação com a Turquia, Merkel continuou adiando, embora o momento atual tenha se revelado ainda pior. Na primavera, Özdemir pressionou novamente. A resolução é necessária para reconhecer a cumplicidade da Alemanha no genocídio, visto que o país era o principal aliado do Império Otomano na época, salientou ele. Quanto à Turquia, ele acredita que se o país tivesse lidado honestamente com seu passado e suas minorias, poderia já ter se tornado um membro da UE.

Original English article available here.

Artigo original em inglês disponível aqui.

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