Tradução: Sunlight diplomacy

Sunlight diplomacy

The United States tries to win friends by revealing past misdeeds

The Economist

On the morning of September 21st 1976, Orlando Letelier, a Chilean dissident, was at the wheel of his Chevrolet Malibu on his way to work at a think-tank in Washington, DC. A former foreign minister in Salvador Allende’s government, he had been jailed by the military regime that took power in 1973.

After his release, he went to the United States and became one of the junta’s most prominent critics. He wrote letters and lobbied Congress to withdraw military aid to the generals. His work had not gone unnoticed in Santiago, Chile’s capital. As his car rounded Sheridan Circle a bomb beneath his seat exploded, killing him and Ronni Moffitt, a colleague sitting beside him. The murder is the only state-sponsored terrorist attack to have struck the United States’ capital.

For decades people suspected that Augusto Pinochet, Chile’s military dictator, was behind the murder. Evidence of that came to light only in October 2015, when John Kerry, America’s secretary of state, gave Michelle Bachelet, Chile’s president, a pen drive containing hundreds of newly declassified documents.

One of them, a memo in 1987 from George Shultz, an earlier secretary of state, to Ronald Reagan, quoted a CIA finding that “President Pinochet personally ordered his intelligence chief to carry out the murders.” The revelation came too late to be used to try the despot; he died in 2006. Chile welcomed it anyway. “It helps us to clarify a painful historical moment for our country,” said Heraldo Muñoz, Chile’s then-foreign minister.

Mr Kerry’s disclosure was an example of “declassification diplomacy”, the use of once-secret documents to shed light on the United States’ role in past conflicts (or knowledge about them) and thereby improve its standing in the world. Some of the revelations make past administrations look bad. But those who support the policy say they can heal wounds, advance American goals and provide evidence in trials of abusive officials.

In March this year Barack Obama said the United States would give Argentina files on its role in the “dirty war” waged by Argentina’s military government against its own citizens in the 1970s and 1980s. These revealed that Henry Kissinger, the United States’ top diplomat in the 1970s, had continued after he left office to express sympathy for a crackdown on dissent by Argentina’s military rulers.

Diplomacia de desconfidencialização

Os Estados Unidos tentam ganhar aliados a partir da revelação de erros passados

The Economist

Na manhã do dia 21 de setembro de 1976, Orlando Letelier, um chileno dissidente, estava ao volante do seu Chevrolet Malibu a caminho do Instituto Transnacional de Estudos Políticos (organização think-tank dedicada à luta pelos direitos civis) onde trabalhava, em Washington, DC. Em 1973, quando os militares assumiram o poder, o ex-ministro das Relações Exteriores do governo de Salvador Allende tornou-se um preso político da ditadura recém implantada.

Após sua libertação, ele rumou para os Estados Unidos e se tornou um dos críticos mais proeminentes da Junta Militar. Ele escrevia cartas e pressionava o Congresso para que esse retirasse o apoio militar aos generais. Seu trabalho não passou despercebido em Santiago, capital do Chile. Enquanto seu carro contornava o entroncamento Sheridan Circle, uma bomba escondida embaixo de seu assento explodiu, matando-o e a Ronni Moffitt, uma colega sentada ao lado dele. O assassinato foi o único ataque terrorista patrocinado pelo Estado a atingir a capital dos Estados Unidos.

Durante décadas, as pessoas suspeitaram que Augusto Pinochet, o ditador militar do Chile, estava por trás do assassinato. Provas disso vieram à tona apenas em outubro de 2015, quando John Kerry, secretário de Estado dos Estados Unidos, deu a Michelle Bachelet, presidente do Chile, um pen drive contendo centenas de documentos secretos recentemente tornados públicos.

Dentre eles, um memorando de 1987 redigido por George Shultz, antigo secretário de Estado do presidente Ronald Reagan, citava uma descoberta da CIA onde se lia que “o presidente Pinochet ordenou pessoalmente que seu chefe dos serviços de inteligência executasse os assassinatos”. A revelação veio tarde demais. Já não era possível utilizá-la no julgamento do tirano/ditador, que morreu em 2006. Ainda assim, o Chile acolheu-a de bom agrado. “Isso nos ajuda a esclarecer um momento histórico doloroso para nosso país”, declara Heraldo Muñoz, o então Ministro das Relações Exteriores do Chile.

A política de divulgação de informações de Kerry foi um exemplo de “diplomacia de desconfidencialização “, em que se utilizou documentos outrora secretos visando lançar uma luz sobre o papel dos Estados Unidos em conflitos passados (ou a informação sobre eles) e, assim, melhorar sua reputação perante o mundo. Algumas das revelações fizeram com que as administrações anteriores ficassem malvistas. Mas aqueles que apoiam a política adotada dizem que podem curar feridas, contribuir no alcance das metas estadunidenses e fornecer evidências que serão utilizadas em julgamentos de autoridades abusivas.

Em março deste ano, o presidente Barack Obama declarou que os Estados Unidos entregariam à Argentina arquivos sobre o seu envolvimento na “guerra suja” travada pelo governo militar da Argentina contra seus próprios cidadãos nas décadas de 1970 e 1980. Os documentos revelaram que o principal diplomata dos Estados Unidos na década de 1970, Henry Kissinger, mesmo após deixar o cargo, continuou a expressar o seu apoio ao uso da repressão à dissidência pelos governantes militares argentinos.

Original English article available here.

Artigo original em inglês disponível aqui.

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